Para um clube que se preparava para comemorar 100 anos de fundação, a situação não era das melhores. No começo do de 2001, o Náutico parecia à beira do caos: há onze anos não conquistava um título, as dívidas eram muitas e o dinheiro, pouco, e no elenco havia apenas cinco jogadores. O Presidente Fred Oliveira havia renunciado e o clube se via ameaçado de mergulhar. Em crise político-administrativa. Não bastasse tudo isto, pairava naquela angustiante perspectiva de ser o Sport, então pentacampeão, igualar o lendário Hexa que só o Náutico tem.

De repente, tudo mudou quando o Vice-Presidente, o deputado André Campos, assumiu a presidência e começou a botar ordem na casa. Cinco meses depois, a torcida alvirrubra explodia, celebrando o título de campeão, Camepão do Centenário.

André o novo presidênte, logo que tomou posse delegou poderes ao experiente Eduardo Loyo (presente na conquista de 1989, o último título conquistado)e ao novato Rubens (Rubinho) Barbosa, para que eles ficassem à frente do Departamento de Futebol. A dupla, por sua vez, ampliou a união pregada por André e criou um colegiado, integrado pelos chamados "homens de ouro". Além deles compuseram o colegiado outros cinco diretores: Sérgio Lins, Fred Galvão, Paulo Alves, Armando carvalho e Inaldo Silva. A esse grupo somaram-se os nomes de Hélio Monteiro e Antônio Amante.

O grupo ficou encarregado de montar um time, que deveria ser formado por jogadores de boa qualidade, mas que não representassem altos gastos. A folha salarial mensal estabelecida pela diretoria não poderia ir além de R$ 150 mil. Outro desafio era trazer um técnico capaz de armar um bom time, eficiente e competitivo, em bora sem grandes estrelas. O nome encontrado foi o de Júlio Espinosa que, durante um bom tempo, até que conseguiu atingir o objetivo.

"Qundo trouxemos jogadores desconhecidos como por exemplo Rafael e Kuki, sabiamos que eles dariam certo, porque pesquisamos muito, colhemos informações de várias pessoas e concientizamos os atletas de importância do título que teriamos de ganhar e eles entenderam", conta Rubinho, Os homens do colegiado também firmaram um "pacto"segundo o qual sempre haveria no mínimo um diretor presente a cada treino ou viagem, para que os jogadores não se sentissem abandonados como aconteceu tantas vezes, no passado. "Com isso, demos muita confiança aos jogadores e os resultados foram chegando", Rubinho diz.

O dinheiro para a formação do time foi conseguido de várias fontes. A cota do televisionamento dos jogadores do Campeonato do Nordeste chegou perto de R$ 400 mil, e a campanha do Futebol Solidário do Campeonato Pernambucano rendeu outros R$ 500 mil. Mas isso não bastava, porque a direção começava a ousar nas contratações de jogadores um pouco mais famosos e, portanto, mais caros. Para isso, alvirrubros mais ricos se cotizaram e se levantarm mais recursos, suficiente para contratar os ex-rubro-negros Sangaletti e Walace, que haviam sido encostados pelo Sport. Isso significava uma provocação ao Sport, o maior rival, e na verdade os dois acabaram como heróis daconquistas alvirrubra. Além deles vieram o experiente Marcelo Passos, o ex-tricolor Tiago Tubaram, o palmeirense Alberto e o zagueiro Lima, outro ex-Sport, jogadores que ultrapassaram o teto salarial do Clube, que era de R$10 mil.

Invicto durante toda a primeira fase do Campeonato do Nordeste (somente na semifinal, em partida única, o time caiu por 1x0, diante do Sport), o Náutico enfrentou alguns tropeços no Campeonato Pernambucano. A situação do técnico Júlio Espinosa aos poucos foi se complicando, ele não resistiu e caiu.

Para o lugarde Espinosa, veio Muricy Ramalho, um discípulo de Tele Santana, que manteve a base montada por seu antecessor. "O futebol é simples, não tem muito o que inventar", explicarva Muricy, responsável por uma sequência de nove jogos sem derrota e a conquista do turno, que parecia perdido depois que o Santa Cruz chegou abotar sete pontos de vantagem em relação aos aqüiinimigos, Náutico e Sport.

Jogando para a frente, com simplicidade e motivando os alvirrubros já começavam a antever o título que há 11 anos não era comemorado. Nem mesmo o segundo turno vencido pelo Santa Cruz ou tal maldição "nadar, nadar e morrer na praia" nada tirou o ânimo do Náutico, que venceu os dois jogos decisivos e deu a volta olimpica em pleno Estádio do Arruda.

Acabavam-se 11 anos de jejum de títulos. Começavam 11 dias de muitas comemorações, como decretou o presidente André Campos. E entrava o Náutico no seu segundo século de vida, cheio de força e de ânimo para prosseguir, no futuro, em sua trilha de glórias e de sucesso.